Quer aparecer aqui? Veja Como


Ano
Pesquisar

Plantas nativas regeneram espaços contaminados em Portugal

Autor: Samuel D. F. Teixeira - Data: 16/05/2011
RSS

Em Portugal existem cerca de 200 explorações mineiras abandonadas, o que levaram à degradação dos ecossistemas em redor, e com a consequência da extração e tratamento de minérios ocorreram a contaminação por metais pesados dos solos e águas que subsistem até aos nossos dias.

Atualmente Portugal só têm 2 minas no ativo, as Minas de Neves Corvo situada na Faixa Piritosa Ibérica e as Minas da Panasqueira (Barroca – Castelo Branco).
Nos últimos anos realizaram uma série de estudos nas diversas minas, o que se tem vindo a vereficar que as plantas autóctones tem tido um papel importante na absorção de metais pesados.

Entre as plantas estudas estão as espécies: Cistus inflatus, Cistus lanadifer, Pinus pinaster (Pinheiro Bravo), Cytisus multiflorus, Arbutus unedo L. (medronheiro).

A capacidade das plantas em sobreviver em áreas mineiras, deve-se ao desenvolvimento de um conjunto de estratégias de tolerância a elevadas concentrações de elementos químicos. Estas mais valia das plantas estarem presentes nas zonas mineiras, contribuiram para minimizar os impactos físicos, químicos e paisagisticos desta atividade, e ainda incentivarem a biodiversidade nessas áreas e contribuirem para pedogénese (ou seja o processo natural de formação do solo).

O que se observou , que as plantas do género Cistus crescem espontâneamente nas antigas minas abandonadas, entre as plantas mais importantes estão Cistus ladanifer e o Cistus inflatus pela sua capacidade de absorver o chumbo(Pb) em duas áreas mineiras abandonadas, Mina do Braçal e a Mina de S. Domingos em que os valores de Pb encontrados nos solos (200mg/kg), em que ultrapassa largamente os valores admitidos pela legislação portuguesa (50-300mg/kg consoante o pH) na qual foi analizado do teor Pb na C.inflatus (99,6 – 217 mg/kg) e na C.ladanifer (40,4 – 48,6 mg/kg), estas plantas apresentavam ainda um bom desenvolvimento, de porte normal comparado com aquelas em solo normal, ou seja estas plantas propocionam uma boa cobertura do terreno, diminuindo drásticamente a erosão hidrica e eólica dessas áreas degradas.


Foto 1 – Cistus inflatus




Foto 2 – Cistus ladanifer



Num outro estudo realizado nas Minas Neves Corvo, também concluí-se que a Cistus ladanifer, ainda tem capacidade de absorção de estanho (Sn), em que os solos apresentaram teores inferiores de Sn aos das plantas, o que indica claramente a sua capacidade em adaptar-se em solos altamente contaminados.
Segundo um estudo feito nas Minas S. António(Penedono) no qual foram explorados ouro e arsénico, sem um complexo bastante degradado e que as escombreiras (depósitos de residuos das minas), estão sujeitas a intensa erosão hidrica e eólica, com valores de arsénico(As) e cádmio (Cd) e de chumbo(Pb), bastante elevados, mas o impressionante é que se nota nessas escombreiras o desenvolvimento plantas Pinus pinaster , Cytisus multiflorus e gramíneas do género Agrostis, em que estas plantas não só toleram as concentrações elevadas de As como translocam para a parte aérea teores acima da média para a maioria das plantas, sem sequer apresentar sintomas de fitotoxicidade, para além ainda de estabilizarem a escombreiras, e as escorrências das águas de drenagem das zonas vegetalizadas por estas plantas nota-se um decréscimo drástico de todos os elementos tóxicos em especial o As, e onde não existia vegetação na escombreiras, as águas apresentavam valores 1600 x o valor máximo recomendável.

Foto 3 - (Pinus pinaster)




Foto 4 – Cytisus multiflorus




Foto 5 – Escombreira em processo de estabilização



Relativamente ao Arbutus unedo L.(medronheiro), estas árvores uma espécie típicamente mediterrânica, com forte resisteñcia aos incêndios florestais, com grande capacidade regenerativa, segundo estudo para a Mina da Panasqueira, uma das mais importantes explorações mineiras em Portugal, situada na Serra da Estrela, uma zona económica e socialmente deprimida da Beira Interior, a escolha do medronheiro como fitoestabilizador, se deve ao aproveitamento do fruto na produção de aguardente como impulsionador económico.


Foto 6 – Arbutus unedo L.



Esta mina ainda funcionamento, procurou-se a necessidade de estabilizar e minimizar a escorrências das águas contaminadas; os metais encontrados em elevadas concentrações são: Arsénico (As), Cádmio (Cd), Cobre (Cu), Chumbo (Pb), Estanho (Sn), Tungsténio(W), Zinco (Zn) nos solos e aquíferos adjancentes.
O estudo feito demonstrou que esta árvore é bastante tolerante a altos teores dos metais atrás referidos, e a concentração dos elementos vestigiais na parte aérea da planta são muito baixos, assim os frutos podem ser utilizados sem perigo para a saúde humana.
O Paisagismo Ecológico assume um papel importante na recuperação de espaços degradados, respeitando o ecossistemas, descobre-se que a Natureza assume o papel de equilibrar os erros feitos pelo Homem; parecendo que não, protegendo o próprio o Homem sem pedir nada em troca.

Estes estudos apontam também para a necessidade do uso das plantas autóctones como processo de recuperação de ecossistemas e não uso de plantas exóticas, o que tem sido o erro comum na recuperação de espaços degradados.

por Samuel D.F. Teixeira, abril - ano 2011
Ecoglobal - Paisagismo Ecológico
ecoglobal.st@gmail.com

Fonte Revista de Ciências Agrárias, da Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal

Você pode se interessar também por:
Projeto de Lei para Paisagismo Ecológico - Portugal




Compartilhar:




80ms

Login Requerido

Faça o login ou cadastre-se gratuitamente para interagir e enviar um comentário nesta publicação.

Seção de Artigos
Plantas Xerófitas: 5 Exemplos para Usar no Seu Jardim
07/05/2025 - André Guilherme

Feng Shui no Paisagismo: Transformando o Jardim em um Espaço de Harmonia e Equilíbrio
13/03/2025 - André Guilherme

6 Plantas Perfeitas para o Verão
07/02/2025 - André Guilherme

Campos Rupestres e a Beleza das Paisagens Pedrosas
03/12/2024 - Matheus Augusto Pereira Leôncio

Mistério e Fascínio: O Mundo das Plantas Carnívoras
03/11/2024 - Matheus Augusto Pereira Leôncio

AuE Paisagismo
Retrospectiva 2025 AuE Software
05/12/2025 - Cíntia Angélica / Brenda de Melo Esteves

Em 2025, ampliamos nossa presença em eventos do setor, promovendo inovação, conhecimento e conexões em irrigação, paisagismo e tecnologia
Atualizações do Banco de Dados 2025: O Panorama Completo
04/12/2025 - Brenda de Melo Esteves

Um olhar para 2025 e para tudo o que cresceu no banco de dados AuE. Novas plantas, modelos e evolução para o paisagismo.
Jardins Virtuais: Coleção de Plantas 3D Realistas
03/12/2025 - Maria Clara Rossi

Plantas 3D criadas com detalhes fiéis para elevar seus projetos a um novo nível de realismo e sofisticação.
Novos modelos 3D para enriquecer seu acervo botânico dentro dos softwares AuE
03/12/2025 - Maria Eduarda Cesário / Maria Clara Rossi

Apresente projetos mais reais: coleção Plantas 3D 2025 com 13 modelos detalhados e otimizados para VisualPLAN e PhotoLANDSCAPE.
Agenda de Paisagismo
Garden Fair 2004 - Tecnologia em Paisagismo e Jardinagem
01/04/2004 - 03/04/2004

II SIGRA - Simpósio sobre manutenão em Gramados
28/05/2004 - 29/05/2004

II Seminário Internacional de Paisagismo - Paisagismo e Lazer
03/06/2004 - 04/06/2004

VII ENEPEA - Encontro Nacional de Ensino de Paisagismo em Escolas de Arquitetura e Urbanismo no Brasil
09/06/2004 - 12/06/2004


Confira a Agenda da Revista AuE Paisagismo

Comentários dos Leitores

25/05/2011 07:40:32

Caro Paulo Castro, obrigado pela sua questão... Os estudos apontam que existem uma diminuição dos teores de metais pesados no solo e nos lençoes freáticos no caso por exemplo nas Minas Neves Corvo e de S. António, ou seja a plantas conseguem absorver esses metais e translocam para parte aérea ( as folhas e ramos), á medida que a planta vai crescendo vai absorvendo os metais e como são plantas colonizadoras (desculpe o termo, mas não ocorre o termo técnico). Depois anos mais á frente quando o solo e os lençóes freáticos estiverem estabilizados com niveis de metais recomendados pode-se introduzir plantas nativas desse ecossistema, e assim recuperar esse ecossistema.

Noutras minas o objetivo passa por estabilizar escombreiras e que as plantas tenham a capacidade de absorção de metais de forma a diminuir a contaminação das águas subterrâneas.

Anuncie Conosco

Divulgue sua empresa, produto ou serviço para milhares de visitantes.


Publicidade
Cadastre-se Grátis

Receber alertas das publicações do site

Que tal se manter sempre informado das novidades do mundo do paisagismo? Informe seus dados para mantermos contato!