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Plantas ornamentais: Erros e acertos no cultivo de bromélias

Autor: Rômulo Cavalcanti Braga - Data: 06/10/2014
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No intuito de melhor orientar e esclarecer dúvidas que comumente me são apresentadas, resolvi escrever a presente Cartilha para dar uma orientação sobre o cultivo dessas plantas fantásticas que encantam e cativam cada vez mais as pessoas. As Bromélias desenvolvem, com suas folhas, um tanque natural de água, reserva de nutrientes para seu primeiro ano de vida.


Neoregelia margaretae

Esta água é absorvida rapidamente pela planta, tornando extremamente difícil o desenvolvimento de larvas do mosquito da dengue (Aëdes aegypti). Na natureza, as bromélias epífitas absorvem pelas raízes apenas os sais minerais que escorrem com a água da chuva ao longo do tronco das árvores, onde estão fixadas. A água depositada nos copos ao centro da roseta, atrai insetos que se decompõem e criam um meio fornecedor de nutrientes à planta. As terrestres extraem nutrientes basicamente pela raiz, fixadas ao solo ou em vasos.


Quesnelia

A) SUBSTRATO - O que normalmente chamamos de substrato nada mais é do que a terra vegetal in natura ou a casca de árvores (rejeitos industriais) que são carbonizadas, trituradas e processadas pelas grandes empresas de celulose, ensacadas e vendidas sob o nome de condicionador de solo, substrato etc. Há no momento no mercado várias marcas como: Rendimax, Bomsolo, Biofertil, Biomix, dentre outros tantos. Alguns viveiristas na intenção de ganhar uma fatia do mercado que se encontra em evidência e crescimento, paralelamente resolveram desenvolver o seu próprio condicionador de solo, utilizando na composição dos mesmos casca de arroz carbonizada, cama de frango, esterco de galinha, fibra de coco o que aos meus olhos é inapropriado, pois o esterco de galinha e / ou cama de frango por mais curtido que esteja ao ser molhado entrará em processo de fermentação aumentando a temperatura do solo e cozinhando literalmente as raízes dos exemplares plantados sobre ele.


Alcantarea odorata

B) FIBRA DE COCO - Até alguns anos atrás não havia aproveitamento para os rejeitos do coco. Nas praias onde há um grande consumo de água de coco, a casca sempre foi uma grande dor de cabeça para as prefeituras. Com a proibição da utilização do Xaxim (Dicksonia Sellowiana) que se encontra escrito no apêndice II da CITES. Na busca frenética por produtos similares que possam vir a substitui-lo surgiu a fibra de coco. Uma grande solução mágica para um subproduto que não tinha aproveitamento e gerava grandes dores de cabeças. Surgiram no mercado várias cooperativas de reciclagem para o presente material. Essas cooperativas processam esse material dando-lhes vários formatos para utilização como vasos, placas, palito etc. Como o coco não tem aderência utilizam colas provindas da seiva da casca de Caju (Anacardium occidentale) e outros subprodutos. O que quase ninguém sabe é que a casca de coco e as próprias colas utilizadas no processo de moldagem são ricas em taninos e alcaloides. Então o consumidor compra esse material e os utilizam sem um preparo prévio o que culmina na fatal perda das plantas. Para serem utilizados, esse material (vasos, placas, palitos, pós, fibras, etc) têm que ficar de molho na água por cinco dias para a total liberação dos taninos e alcaloides. Chamo aqui a atenção para se observe a coloração da água utilizada no molho ao final do tempo esta estará marrom escura.


Alcantarea imperialis rubra

C) BAGANA - No norte / nordeste, os produtores se utilizam de um composto feito a partir de folhas de Carnauba (Copernicia prunifera), Babaçu (Orbignya phalerata) e outras variedades de palmeiras diversas, trituradas para elaborar um composto que chamam de Bagana. Esse produto tem uma grande carga de celulose e nada acrescenta ao solo de imediato, a não ser deixa-lo mais poroso, leve com o agravante de também entrar em processo de fermentação.

D) SUBSTRATO IDEAL - O substrato ideal para cultivo de Bromélias tem uma formulação simples e é o que venho utilizando aqui no meu Bromeliário a vários anos: 01 saco de 25 kg de condicionador de solo ou terra vegetal e a mesma quantidade (25 kg) de esterco de gado ou cavalo peneirado, 10 kg de pó de fibra de coco e 10 kg de areia lavada. misturado bem até obter uma massa homogenia. Esse mesmo substrato pode ser utilizado no cultivo de outras variedades de plantas com grande sucesso.


Vriesae hierogliphica

E) ÁGUA - O elemento água é primordial para o cultivo e sobrevivência das Bromélias. As Bromélias sobrevivem com o substrato seco, mas não sem água. Algumas possuem um copo central onde a água é armazenada (as chamadas tanques), outras a captam do ar juntamente com os nutrientes. Mas há de se observar a coerência quanto ao momento de regá-las. As regas devem se dar sempre nos horários de sol frio de acordo com a região. No caso do nordeste estas deverão se dar a tardinha com o inicio da noite, pois o sol nessa região nasce muito cedo e com uma temperatura elevada. Ao se molhar uma Bromélia sempre ficam algumas gotículas de água retida nas folhas pelos estômatos. Essas gotículas sob a ação dos raios solares e até mesmo pelo mormaço quente geram queimaduras nas folhas. Nada de maior gravidade, uma vez que novas folhas surgirão com o tempo, mas comprometem a beleza da planta. Então é recomendado que se tratando de exemplares que ficarão expostos ao sol como é o caso das Alcântareas Imperialis, Aechmeas e outras adaptadas ao sol que se procure despejar a água diretamente dentro de seus tangues tomando-se o cuidado de não molhar as folhas.


Nativa

F) FERTILIZANTES E ADTIVOS QUÍMICOS - Muitas pessoas por força do habito, insistem em utilizar fertilizantes foliares e aditivos químicos nas Bromélias. As Bromélias por serem em sua maioria epífitas, têm um grande poder de absorção foliar e por esse motivo devem ser adubadas com muito critério. A formulação NPK 02-01-04 para Bromélias e a de NPK 17-08-22 PARA Tillandsias , que infelizmente não temos disponível no Brasil. Algumas pessoas tentam utilizar fertilizantes de Orquídeas. Alguns cuidados devem ser observados com relação a grande concentração de boro (Bo), fósforo (P) deve ser evitado por causa da queimadura nas pontas das folhas. Cuidados especiais devem ser tomados com relação ao COBRE (Cu), que mesmo em pequenas quantidades pode levar a planta a morte. Para aqueles que insistem em utilizar fertilizantes para Orquídeas recomendo então que só usem ¼ (um quarto) da força recomendada pelo fabricante uma vez ao mês. Está surgindo no mercado um novo fertilizante específico para Bromélias, fabricado por uma empresa de Viçosa / MG. Nada posso dizer sobre o produto no momento pois não o utilizei ainda.


Vriesea drako

G) ACLIMATAÇÃO - As Bromélias são plantas tipicamente tropicais e apreciam temperaturas elevadas e bom índice de umidade, associado a boa ventilação. Se adaptam portanto a qualquer clima no nosso país, principalmente no nordeste, observando-se as regras para cultivo. Já no sul, cuidados devem ser tomados para não ficarem expostas as geadas e aos ventos frios.


Nidularium

H) ILUNINAÇÃO - A maioria das bromélias prefere sombra e pouca exposição direta a luz solar, visto a situação em que ocorrem na mata nativa: nascem no solo as que preferem mais sombra e em troncos das árvores (epífitas) as que procuram luz difusa. Como sintomas do excesso de luz, temos folhas amareladas, com manchas esbranquiçadas, ressecadas e até verdadeiras queimaduras.


Arranjo Neoregelia

I) REPLANTIO - As Bromélias se reproduzem de duas formas: sementes e brotos laterais. Os brotos laterais se deixados junto a planta mãe logo formarão belas touceiras com o passar do tempo. Mas se desejar multiplica-las formando novas matrizes estas deverão ser retiradas das axilas das plantas mães tão logo atinjam 1/3 do tamanho da mesma e replantadas em novos vasos.

J) ALGUMAS REGRAS PARA O PLANTIO CORRETO:

. Não enterre demais as Bromélias, mantenha a base das folhas acima do solo;
. Não use um vaso muito grande, pois há perigo de umidade excessiva nas raízes;
. Não permita que a planta fique balançando, fixe-a bem, pois isto poderá danificar o desenvolvimento de novas raízes. Estaqueie a planta se necessário, até que as raízes estejam bem desenvolvidas.

Rômulo Cavalcanti Braga é especialista em Tillandsias e um grande produtor.
Contato: romulocbraga@uol.com.br
Ouro verde - boiatche bromeliario

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Comentários

13/02/2016 17:12:35

Oi Fábio,
Tillandsias são um departamento à parte. Infelizmente não há nenhuma literatura a respeito. O pouco que se encontra é de minha lavra. Entre em contato comigo pelo e-mail: romulocbraga@uol.com.br que lhe passo todos os textos que possam lhe interessar. Aliás tenho também alguns a respeito do assunto publicados aqui no Paisagismo Digital. É só pesquisar. Abraços,


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