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Memória do Paisagismo no Brasil: Paisagista Rodolfo Geiser

Autor: rodolfo geiser - Data: 16/10/2018
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Autores citados: Germano Zimber, Professor Heitor Pinto Cesar, Octavio Vecchi, ROBERTO COELHO CARDOZO, Arsène Puttemans



É com imenso prazer e, de certa forma, com muito orgulho de tê-los entre nossos parceiros, que apresento aos nossos leitores o Engenheiro Agrônomo e Paisagista Rodolfo Geiser e sua sócia, a Arquiteta Christiane Ribeiro, GENTE QUE FAZ!

Definição da RodolfoGeiser Paisagismo:
"A Rodolfo Geiser Paisagismo e Meio Ambiente SS Ltda é uma empresa fundada em 1987 com dois sócios: um arquiteto e um agrônomo. Atua em Projetos de Arquitetura Paisagística, Arquitetura de Exteriores, Consultoria em Meio Ambiente e Projetos na Macropaisagem, onde a escala é o quilômetro quadrado e na micropaisagem onde a escala é o metro quadrado. Nasceu da experiência profissional de Rodolfo Geiser, como profissional autônomo em consultoria e projetos de paisagismo, desde sua formatura pela ESALQ em 1963."

Através do relato de Rodolfo Geiser, teremos a oportunidade de conhecer não só o seu trabalho, mas um panorama incrível do Paisagismo, no Brasil, nas últimas décadas do século XX.

1 - O que o levou à escolha da Agronomia?

Pergunta difícil; precisaria um retiro para meditação. Numa memória periférica escolhi Agronomia, numa "mistura" (= busca de equilíbrio) entre contingências da VIDA e um processo de sensibilização em direção ao ambiente, a natureza e de uma melhor compreensão da espécie humana. Incluindo o entendimento de mim próprio (do homem) como espécie animal.
A figura de três primos engenheiros que me impressionavam profissionalmente, talvez também tenham me impulsionado em direção à "engenharia agronômica" . Tinha também uma sensibilização pela "arte" e pela "filosofia"; sendo que, quanto à última, pensei seriamente em cursar após formatura. Mas desisti, considerando que, tendo cursado uma Universidade, já tinha aprendido bastante sobre métodos e modelos de pensar e refletir.

2 - Como foi o início de sua carreira? E o paisagismo, de que forma entrou em sua vida?

INíCIO. Comecei em 1957, aos 17 anos, na empresa de jardinagem "Germano Zimber e Cia - CASA FLORA", então sediada na Rua Coronel José Euzébio, em São Paulo,SP. Essa empresa possuía também um viveiro de produção de mudas ornamentais na Estrada de Cotia, km 16., numa área superior à 100.000 m2.
Germano Zimber, formado em Gartenkunst (Arte da Jardinagem) na Alemanha, tinha também extensa biblioteca, que me deixou bastante impressionado e motivado com a atividade. Embora não conhecesse a língua alemã, ilustrações, projetos de jardins e poucas palavrinhas já ajudavam muito a entender a própria conceituação na elaboração de projetos de parques e jardins. Nesses livros percebi que a atividade se ampliava muito além dos jardins e avançava pelo planejamento da macropaisagem.
Não tive a satisfação de conhecer o Sr. Germano; quando lá comecei tratei com sua viúva, Dona Anna Karolina Zimber, que passou a administrar a empresa após sua morte.




a Les bois indigènes de São Paulo, Octavio Vecchi 1916 - b Jardins de Hoje de Germano Zimber - c "Gartenkunst" "Gartenkunst" = Arte da Jardinagem, de 1925 - d Aquarelas de Germano Zimber e Carlos Lacerda, 1971.


ANOS 1950 à 1965.

Nessa época - anos 1950, não se falava corriqueiramente em agrônomo paisagista nem em arquiteto paisagista, nem em paisagistas. Quem trabalhava executando jardins em São Paulo eram empresas de jardinagem. Pelo que sei através de informações dessa época, uma das primeiras foi da família Dierberger, que no final do século XIX, tinha uma chácara de produção de mudas na atual Praça das Bandeiras. Os Dierberger existem até hoje, atualmente em Limeira. Essas empresas, regra geral, trabalhavam suportadas num triângulo: Produção de mudas + Projetos + execução.

E, nessa linha, surgiu o Germano Zimber, onde comecei trabalhando, que deve ter começado nos anos 1930. Criou assistentes que abriram suas próprias empresas: Alfred Mainard (Jardins Tropicais), Armin Stohl e Bernard G. Lux (Jardinarte), Walter Doering (Bomjardim).

Germano escreveu o livro "Jardins de hoje", lá por 1946. Era um artista e desenhou em aquarelas flores de árvores, em especial de Quaresmeiras, mais tarde publicadas por Carlos Lacerda, lá por 1970. Essas duas obras podem ser encontradas em sebos.

Enfim, nos anos 1950, na cidade de São Paulo, o tema jardins estava mais vinculado à empresas de execução que também projetavam e forneciam mudas, numa espécie de "único pacote". Havia um vinculo com floricultura e até com fruticultura, e existiam alguns raros autônomos que também trabalhavam na área, a maioria de origem alemã: Blossfeld, Decker, e um outro cujo nome não me recordo.

Existia a Chácara Marengo no bairro Tatuapé e meus amigos Karl Krieg (também formado numa Gartenkunst) e Victor del Mazzo Suáres, argentino radicado no Brasil. A destacar ainda, o clube de jardinagem das senhoras inglesas, o "São Paulo Garden Club", fundado em 1939, o primeiro clube de jardinagem do Brasil.

CURSO DE AGRONOMIA NA ESALQ, 1959/1963.

Em 1959, entrei na ESALQ, em Piracicaba e, por necessitar recursos financeiros para pagar a "República", comecei a projetar e executar pequenos jardins residenciais na cidade. Afinal não era leigo, tinha trabalhado uns bons meses na CASA FLORA. Anunciei nos jornais.
Minha primeira cliente foi Madre Rosária, que me pediu um pequeno trabalho numa espécie de igreja; ela me procurou na "república" e eu não sabia onde enfiar a cara: uma freira numa república de estudantes!

Por indicação do Professor Heitor Pinto Cesar, de Horticultura, a esposa de Leopoldo Dedini me chamou para acompanhar seu jardineiro que passou também a me ajudar nos outros serviços que apareceram. Fiz muitos pequenos jardins em Piracicaba.

Alguns professores da escola me chamaram e assim fui indo. O Leopoldo Dedini, depois, insistiu para que eu aprendesse alguma coisa com um amigo seu, um senhor chinês, muito rico, que conhecia a jardinagem de seu país e que morava no Morumbi, em São Paulo; fui visitá-lo e passei uma tarde com ele. E, assim, fui formando uma bagagem profissional inteiramente vinculada ao paisagismo. Muita gente me ajudou.

Entendo que MEU MESTRE FOI ROBERTO COELHO CARDOZO, que me foi apresentado lá por 1961, por Dona Ana Karolina. Cardozo era de origem portuguesa e estudou Arquitetura Paisagística (AP), em Berkeley, CA, EUA; foi aluno de Garret Eckbo, um dos mais proeminentes arquitetos paisagistas norte americanos.

Na época, Cardozo era professor catedrático de Arquitetura Paisagística, da FAU-USP. Cardozo virou um mestre para mim, ensinou-me as relações entre vegetação e espaços (contrariamente á ideia geral de "arranjos" paisagísticos); o que interessa é a vegetação criando e organizando espaços. Mostrou-me algumas obras suas, um viveiro que organizava em Cotia. Estagiei em seu escritório, ocasionalmente, durante as férias e após formado.

POSTURA PROFISSIONAL

Em Berkeley, segundo me informou, Coelho Cardozo formou-se como arquiteto paisagista em base a uma carga horária resumida em 3 anos de Horticultura e 3 anos de Arquitetura. Em 1961 ou 1962 pediu-me que apresentasse o Diretor da escola de Agronomia onde eu estudava, pois pretendia propor uma espécie de parceria em AP entre FAU e ESALQ, ambas da USP, em base a esse mesmo conceito de carga horária.

Roberto veio à Piracicaba, pegou-me na "republica" e fomos para a escola e falamos com o Prof. Salim Simão, então Diretor da ESALQ. Infelizmente não deu certo; pareceu-me que a proposta não sensibilizou a Diretoria da ESALQ. Entretanto, essa coparticipação sempre passou a orientar minha vida profissional como paisagista na elaboração dos projetos: Isso virou regra para nós.
REGRA Nº 1: O projeto de "arquitetura paisagista" no Brasil, deve ser forçosamente um trabalho de equipe, em condições igualitárias de um agrônomo e de um arquiteto.

O PARQUE DA ESALQ.

Nessa linha de exposição tenho de mencionar o "muito comentado", entre nós alunos e ex-alunos, Parque da ESALQ. Nossa escola está implantada num Parque planejado e executado por Arsène Puttemans (1873/1937), urbanista e paisagista belga, a partir de 1905. Situa-se numa área de 50.000m2 e planejado no estilo naturalista inglês, o que o torna único no Brasil .

Arsène Puttemans teria sido professor na ESALQ de Parques Jardins e Paisagismo entre 1905 e 1915. O que é bem provável, pois tradicionalmente "HORTICULTURA compreende diversos temas, tais como "Paisagismo".
Também foi o autor do projeto de paisagismo do parque do Ipiranga em São Paulo, incluindo as margens do Rio Tamanduateí, em sequencia ao mesmo, até a baixada do Carmo, denominado Parque Dom Pedro II.

Infelizmente, essa segunda parte do parque praticamente se perdeu com a expansão urbana, avenidas cada vez mais largas, culminando com uma avenida sobre o próprio rio, cobrindo-o totalmente sob ponto de vista visual, como se constata atualmente. Possuímos um registro de fotografias nossas de 1968 (FOTOS Parque Dom Pedro II).

1968

Jogos no Parque Dom Pedro II 1968

Margens do Rio Tamanduatei 1968

Voltando ao parque da ESALQ, com o correr dos anos, sofreu algumas alterações em relação ao projeto original. Perdeu algumas visuais, que propiciavam visões entre pontos mais distantes, com efeitos de perspectiva. Justamente interrompendo uma das visuais, foi executado o novo prédio da biblioteca.
Foram plantadas algumas árvores comemorativas que afetaram um pouco o equilíbrio entre espaços abertos, gramados e maciços arbóreos. E também algumas espécies foram retiradas, entre as quais um maciço de uma "palmeira trepadeira", espécie pouco comum", bem em frente do pavilhão principal - o que ocorreu aproximadamente em 1963, pois eu ainda cursava a ESALQ.
Esta palmeira pertence ao gênero Calamus, e é caracterizada por "caules múltiplos, finos, formando touceira densa, ascendentes, flexíveis e recurvados ..." (conforme descrição de Harri Lorenzi em "Palmeiras no Brasil). Embora seja uma espécie agressiva, fiquei muito triste, pois no parque da ESALQ, por ser de uma escola ligada à natureza e botânica, ela cabia perfeitamente e seria fonte de estudos e inspiração.
Parque da ESALQ - Fotos de Rodolfo Geiser



1 - Linha de vista 2 - Pavilhão central 3 - Vista do Pavilhão Central 4 - Caminho interno


A história continua... Aguardem o próximo Capítulo!




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