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Buriti, a palmeira das veredas!

Autor: Rômulo Cavalcanti Braga - Data: 04/10/2012
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BURITI (Mauritia flexuosa)
. Nome Científico: Mauritia flexuosa
. Nome Popular: Buriti, buritizeiro, palmeira-dos-brejos, carandá-guaçu
. Família: Arecaceae
. Divisão: Magnoliophyta
. Origem: América do Sul
. Ciclo de Vida: Perene


O buriti é uma das mais singulares palmeiras do Brasil. Mais do que isso, nas regiões onde ocorre, o buriti é a planta mais importante entre todas as outras, de onde o homem local, herdeiro da sabedoria dos indígenas nativos, aprendeu a retirar parte essencial de seu sustento.
O buriti é uma espécie abundante no Cerrado e um indicativo infalível da existência de água na região. Como o Cerrado é rico em água, lá estão os Buritis, emoldurando as veredas, riachos e cachoeiras, inseridos nos brejos e nascentes. A relação com a água não é à toa. Ao caírem nos riachos, os frutos de seus generosos cachos são transportados pela água, ajudando a dispersar a espécie em toda a região.



Os frutos também servem de alimento para cutias, capivaras, antas e araras, que colaboram para disseminar as sementes.
Na natureza, tudo funciona na base da cooperação mútua. Os buritis também embelezam a paisagem do Cerrado e são fonte de inspiração para a literatura, a poesia, a música e as artes visuais.
Os cachos carregados de frutos e as folhas de que necessita, são apanhados lá no alto, cortados no talo com facão bem afiado para não machucar a palmeira.
Depois disso, o experiente sertanejo pula, usando as largas folhas do buriti como se fossem pára-quedas, pousando suavemente na água.
Para o homem, o buriti também é muito generoso. Seu fruto é uma fonte de alimento privilegiada.
Rico em vitamina A, B e C, ainda fornece cálcio, ferro e proteínas. Consumido tradicionalmente ao natural, o fruto do buriti também pode ser transformado em doces, sucos, licores e sobremesas de paladar peculiares.
O óleo extraído da fruta tem valor medicinal para os povos tradicionais do Cerrado que o utilizam como vermífugo, cicatrizante e energético natural.
As substâncias do buriti também dão cor, aroma e qualidade a diversos produtos de beleza, como cremes, xampus, filtro solar e sabonetes.



Com as folhas crescidas - ou palhas, como diz o homem regional -, com suas fibras e com seus brotos, pode-se fazer de tudo: a carroça de vedar chuva, o tapiti de espremer massa de mandioca, o paneiro de empaiolar farinha, uma gradação de balaios... as esteiras, as mantas, as redes de dormir, as cordas, as urupemas, os abanos e chiconas de carregar galinha. Também é utilizada na cobertura de casas - telhados.
Geram fibras usadas no artesanato, tais como bolsas, tapetes, toalhas de mesa, brinquedos e bijuterias. Os talos das folhas servem para a fabricação de móveis. Além de serem leves, as mobílias feitas com o buriti são resistentes e muito bonitas. As folhas jovens também produzem uma fibra muito fina, a seda do buriti, usada pelos artesãos na fabricação de peças feitas com o capim-dourado.
Do buriti, se aproveita tudo. Até o nome, emprestado a milhares de lugares, estabelecimentos e até embarcações que levam a fama da palmeira por todos os lugares.



Cultivo - Esta palmeira é propagada por sementes, que perdem o poder germinativo em poucas semanas; contudo, as sementes recém-colhidas alcançam 100% de germinação, que ocorre aos 75 dias.
A produção do buriti é anual e em indivíduos femininos ocorre a cada dois anos, no final do período chuvoso. O número de inflorescência ou de cachos com frutos varia de 5 a 7 por planta por ano, com cerca de 400 a 500 frutos por cacho.
A floração ocorre de abril a agosto, frutificando após 9 meses.
É uma palmeira que aprecia locais ensolarados, clima quente e necessita de terrenos ricos em matéria orgânica e levemente úmida. Para plantar, abrir uma cova grande, mais larga que funda maior que o torrão da muda.
Como ela corre em áreas de brejo, pede regas mais frequentes. Colocar adubo de curral curtido, cerca de 3 litros/ cova, acrescido de adubo granulado formulação NPK 10-10-10, cerca de 300 gramas. Misturar com composto orgânico antes de colocar o torrão. Regar a cova antes do plantio.
Colocar o torrão, adicionar mais composto orgânico e colocar os tutores em número de três, amarrando com cordão de juta para manter no lugar. Regar todos os dias, inclusive o ponteiro da copa todos os dias por, pelo menos, 10 dias após o plantio. Para cultivá-lo em terreno seco deve receber muita água na sua fase juvenil.

Contato: romulocbraga@uol.com.br
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