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Cultivo e demais tratos culturais de orquídeas – Capítulo 2

Autor: Pedro Ivo Soares Braga - Data: 29/10/2010
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ADUBAÇÃO

Caso tenha (m) sido reenvasada (s) a(s) planta (s) ou suprimida (s) sua (s) raiz (es) velha (s), durante o período, em que ainda não se formaram as novas raízes, a adubação deverá ser a foliar, a cada dez dias, aproximadamente, na dosagem recomendada pelo fabricante ou em dosagem homeopática; eu, geralmente, só faço a adubação foliar, pois dessa forma, evita-se o apodrecimento precoce do substrato, entretanto, pode-se usar simultaneamente no substrato do vaso, a cada 4 meses, uma pitada de torta de mamona com farinha de osso, afastado das raízes, ou estrume de galinha seco em pó, para não queimá-las.

FERTILIZANTES

Utiliza-se os próprios para orquídeas, como o Peters ou o Ouro Verde. Aplicar cerca de 1-2 gramas, por litro de água, a cada doze dias. Molhar bastante as folhas e o substrato com o fertilizante, e no dia seguinte não irrigar. Recomendam-se a utilização para crescimento geral as fórmulas de N.P.K. (18-18-18), (20-20-20) ou (30-10-20), aproximadamente, na dosagem recomendada pelo fabricante ou em dosagem homeopática. Adubos orgânicos também podem ser utilizados, mas eles têm o inconveniente de apodrecer precocemente o substrato.

Esses produtos podem queimar as folhas e pseudobulbos das plantas, em que forem empregados, podendo, em casos extremos, quando utilizados de forma errônea, até matá-las, portanto, é muito importante seguir as recomendações do fabricante do produto.

VASOS E SUBSTRATOS

Na região raramente são encontradas em substratos encharcados.

As orquídeas de Igapó ocorrem com raras exceções, como, por exemplo, as do gênero Galeandra Lindl., principalmente a G. devoniana Schomb. ex Lindl. e a Acacallis cyanea Lindl., as quais chegam a ficar submersas durante a época das cheias. O mesmo é valido para a maioria das orquídeas de terra firme e Várzeas amazônicas. As orquídeas das Campinas desenvolvem-se sobre árvores em galhos verticais ou inclinados, que retém pouca água, ou no solo, com boa drenagem, que retém a água das chuvas durante pouco tempo e permanecem quase secas durante a maior parte do ano. Daí deve-se escolher uma combinação de vaso e substrato que atenda às necessidades de drenagem a retenção de nutrientes. Em nossa experiência em Manaus, preferimos utilizar para cultivo:



Os vasos de barro absorvem o excesso de umidade, não deixando os substratos ficarem encharcados. Desvantagem: crescimento de algas nas paredes, necessitando limpeza a cada seis meses com escova, pois prejudicam a drenagem e abafam as raízes. Adotamos os vasos com as seguintes especificações:



O vaso "A" destina-se a "seedlings" ou microorquídeas. Os vasos plásticos têm dado bons resultados para orquídeas de modo geral, mas principalmente para as orquídeas do gênero Catasetum L.C. Rich., e afins. As suas maiores vantagens é a fácil limpeza e, o fato de que as raízes, não grudam em sua parede, o que facilita o transplante, sem danos ao sistema radicular. São de formato cônico convencional, mas não há disponíveis no comércio com furos, cuja execução fica a cargo do orquidófilo, o que não apresenta maiores dificuldades.



Para uma melhor ventilação e drenagem, os vasos podem ser suspensos com arame, e para tal é necessário que tenham três furos próximos a boca, simetricamente dispostos.
No fundo do vaso devem ser colocados cacos de cerâmica (de telhas, tijolos ou de vasos), até mais ou menos 1/3 da altura do mesmo; dispõe-se o substrato desfibrado, de preferência com as fibras no sentido vertical, comprimindo-o, mas não em excesso.
Pode-se também encher o vaso apenas com cinasita, ou misturá-la com pedaços de carvão ou de isopor e cavacos de madeira. Nunca encher o vaso até a borda ou acima dela com o substrato, para evitar que os adubos, a água da rega e outros venham extravasar.

O uso de placas, estacas de xaxim, de coco prensado, ou troncos de árvores, torna mais fácil o plantio e, é a melhor opção para as plantas cujo rizoma não se desenvolve horizontalmente. Em condições naturais muitas orquídeas formam grandes touceiras em galhos, que estão em posição horizontal, ou em suas forquilhas. O uso de placa e ou tronco em posição horizontal, simula aquela condição, e é muito econômico porque esses dois substratos comportam muitas plantas, mas dificulta seu transporte, por exemplo, para uma exposição.

O uso de árvores vivas de Dracena ou de Cuieira, quando disponíveis, é excelente, pois essas plantas possuem propriedades de casca e nutrientes, ideais para o cultivo de orquídeas. Entretanto o cultivo em substrato vivo exige maior vigilância contra pragas e animais domésticos, já que não podem ser protegidas por telas ou deslocadas.
A escolha do vaso e substrato apropriados depende de experiência, pois varia conforme o hábito de cada espécie. Não se deve utilizar vasos demasiadamente grandes em relação a planta, pois o substrato estará podre até a planta ocupá-lo totalmente. Dessa forma pode-se economizar espaço e substrato no orquidário. Pode-se ainda combinar o uso de uma placa inclinada ou um espeto vertical em um vaso, para certas plantas que tem hábito escandente.
Plantio - escolhido o vaso e substratos adequados, procede-se o plantio da orquídea observando-se as seguintes regras:

- deixar o pseudobulbo posterior (mais velho) encostado na borda do vaso, com a guia (broto ou pseudobulbo mais novo) dirigida para o centro do vaso;

- não cobrir o rizoma com substrato; deixá-lo apenas encostado, e se necessário firmá-lo com uma vareta, traspassando os furos laterais;

- amparar a planta com um tutor (de bambu ou arame), orientando os pseudobulbos na posição vertical, para melhor aspecto e harmonia; não torcê-los demais;

- às vezes é necessário posicionar gradualmente os pseudobulbos, fixando-os com fio (utilizamos fio de ráfia) e tracionando-os de duas em duas semanas até a posição desejada. Após alguns meses as escoras e fios podem ser retirados, na maioria das vezes, depois do enraizamento.



RE-ENVASAMENTO A cada 12-18 meses deve-se trocar o substrato do vaso de barro ou plástico, caso esse seja constituído de material fibroso.

Aguarde os próximos capítulos!
Pedro Ivo Soares Braga
contato@orquiedasdaamazonia.com



Possui graduação em História Natural pela Universidade Santa Úrsula (1973), Mestrado em Ciências Biológicas (Botânica) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (1976) e Doutorado em Ciências Biológicas (Botânica) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (1982). Atualmente é professor Titular aposentado da Universidade Federal do Amazonas.
Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Taxonomia - especialista na Família Orchidaceae, Biologia Floral, Fitogeografia - Fitossociologia, Conservação Ambiental, Estudos de Impactos Ambientais, Recuperação de áreas degradadas.

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Comentários

09/11/2010 12:21:17

Bem explicativo !!!! bom post !!!


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